Uma iniciativa que nasce da convivência, da escuta e de uma convicção profunda. Assim pode ser descrito o Instituto Protelli Teko Porã, liderado pelos empresários Armando e Roseli Tortelli, membros da Economia de Comunhão (EdC), junto a comunidades indígenas guaranis na região de Foz do Iguaçu (PR), como a aldeia Arapy, e em Terra Roxa, como as aldeias Araguaju, Tekora Arakoe e Yvyporã. Protelli é o nome da holding da família e Teko Porã significa “bem-viver” em guarani.
A proposta surge após anos de aproximação com o território. Desde 2018, o casal passou a frequentar a região da tríplice fronteira, inicialmente em missões periódicas ligadas ao Movimento dos Focolares. O que começou como visitas se transformou em vínculos de confiança e amizade com as comunidades.
“Já havíamos começado a visitar as aldeias com um sacerdote indigenista. Mergulhamos na cultura guarani. Inicialmente, íamos apenas para visitar, para estar com eles. Começou, então, a nascer uma amizade, e da amizade veio a confiança”, lembra Armando.

A realidade encontrada foi marcada por desafios profundos. O povo guarani, historicamente expropriado de suas terras, vive hoje em condições de vulnerabilidade, muitas vezes sem acesso a recursos básicos e enfrentando preconceitos sociais. Ao mesmo tempo, mantém uma riqueza cultural viva, que o Instituto busca reconhecer e fortalecer.
O Instituto nasce como expressão concreta dos valores da Economia de Comunhão: colocar a economia a serviço da dignidade humana e da superação das vulnerabilidades. Além disso, possui em seus estatutos, o propósito de atuar nos três países, seguindo a própria visão do povo Guarani que não distingue fronteiras enquanto povo, mas se reconhece como uma única nação.
“Nos dias de hoje, sem essa encarnação no social, não representamos nada para a sociedade”, afirma Armando.
A proposta também reflete uma escolha empresarial: a holding da família estruturou um modelo no qual os lucros gerados por um dos seus negócios, uma corretora de seguros, serão integralmente destinados ao Instituto, após a justa remuneração das equipes.

Cinco eixos para um desenvolvimento integral
O Instituto foi organizado em cinco eixos de atuação, construídos a partir da escuta das necessidades locais e da convivência com as comunidades:
Educação e Formação.
O eixo busca ampliar oportunidades de aprendizagem e fortalecer a autonomia das comunidades. Entre as ações estão formação em políticas públicas, reforço escolar, imersões na cultura guarani e iniciativas de cultura da paz, além do mapeamento das realidades locais.

Saúde e Bem Viver:
Com foco na saúde integral, o projeto promove visitas às aldeias para fortalecer vínculos, rodas de conversa sobre temas como família, sentido de vida e saúde emocional, e o reconhecimento dos saberes tradicionais, incluindo os rituais de cura da cultura guarani.
Cultura e Economia:
A proposta valoriza a identidade cultural como caminho de geração de renda e dignidade. Inclui o fortalecimento do artesanato indígena, o desenvolvimento de iniciativas como cursos de corte e costura e o incentivo ao turismo cultural com protagonismo dos jovens.
Gestão e Sustentabilidade:
O eixo visa garantir a continuidade e autonomia das ações, com planejamento participativo, formação de lideranças locais, monitoramento das iniciativas e práticas de sustentabilidade ambiental e financeira.
Direitos e Justiça:
Busca promover o acesso à informação e o fortalecimento da consciência de direitos, por meio de diálogos sobre cidadania, estudo da Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas e encontros com profissionais do sistema de justiça.

Juventude e dignidade
Um dos focos centrais do Instituto é a juventude. A iniciativa nasce também como resposta a desafios concretos, como a falta de oportunidades para jovens indígenas, inclusive aqueles em situação de privação de liberdade.
“Algo que vamos começar imediatamente é a ajuda a 96 indígenas encarcerados. Eles querem trabalhar, mas não têm oportunidades. Há um advogado envolvido, que quer criar um sistema de convênio com universidades”, destaca Armando.
“Queremos resgatar a dignidade dos indígenas, oferecendo a eles uma condição de vida digna, sobretudo focando nas crianças e nos jovens”, completa Roseli.
Além das ações diretas, o Instituto também busca atuar na redução das tensões entre comunidades indígenas e a sociedade local, onde ainda persistem estigmas e preconceitos.
“Queremos criar laços para reduzir essa tensão entre a sociedade e os indígenas”, afirma Roseli.
O Instituto representa um testemunho: de que é possível fazer negócios com propósito, gerar impacto social concreto e construir, junto com as comunidades, caminhos para um mundo mais justo, regenerativo e fraterno.




