Promover o cuidado com as pessoas para fortalecer comunidades mais humanas e resilientes. Com esse propósito, o Projeto Amazônia Viva promoveu a primeira etapa do Programa Cuidadores de Comunidade: um percurso formativo híbrido, que prepara lideranças para a promoção da saúde mental e do bem-estar coletivo nas comunidades da Amazônia.

Realizado pela Economia de Comunhão (EdC), o projeto atua na região desde 2022 e, recentemente, entre os meses de maio e julho, deu início ao  programa para cuidadores entre os meses de maio e julho de 2026, integrando teoria e prática em encontros on-line de duas horas e experiências presenciais.

“Este percurso foi pensado com cuidado para reunir pessoas que se reconhecem como mediadoras, comprometidas e abertas ao diálogo, interessadas em fortalecer os laços de fraternidade em seus territórios. No total, 22 pessoas participaram desta primeira etapa, que se mostrou necessária para promover o cuidado, antes de mais nada, de quem cuida das comunidades”, explicou a gestora do projeto Amazônia Viva, Maria Clézia Santana (Dima).

Formação on-line: desenvolvimento de competências

Entre maio e junho, a metodologia do Programa Cuidadores de Comunidade contou com módulos on-line de 2h de duração, sempre voltados para as experiências concretas vividas pelas lideranças.

Cada liderança foi convidada a percorrer um fio condutor que perpassou 7 obras espirituais para a vida comunitária e o desenvolvimento de competências internas e externas. 

Segundo Débora Rocha, gestora programática da EdC, as 7 obras espirituais são baseadas nas Obras de Misericórdia Espirituais da Igreja Católica, porém, reinterpretadas como atitudes concretas para a vida comunitária. São elas: 

1- Compartilhar conhecimento;

2- Confortar quem sofre;

3- Praticar o perdão;

4- Apoiar quem está em dúvida;

5- Apontar caminhos de melhoria;

6- Ter paciência com limitações;

7- Lembrar dos outros.

“Ao longo do processo, essas práticas se transformaram em ferramentas para fortalecer vínculos entre participantes e inspirar caminhos concretos guiados pela justiça climática e pela comunhão, temas-chave para a Economia de Comunhão”, explica a gestora. 

Além disso, cada liderança foi convidada a desenvolver competências para exercer uma liderança atenta ao cuidado com cada pessoa, tais como a escuta atenta e a orientação comunitária, a prevenção de sofrimentos emocionais, a multiplicação de saberes e a promoção do bem-viver, conectando saúde mental, espiritualidade e preservação da Amazônia. 

Formação presencial: roda de TCI

Um dos momentos mais marcantes da formação aconteceu entre os dias 6 e 13 de julho, em Manaus, com o módulo presencial de Terapia Comunitária Integrativa (TCI), conduzido pelo facilitador e terapeuta Ubiraci Pataxó.

Com objetivo de criar espaços de acolhimento, fortalecer os vínculos entre as lideranças e inspirar a reflexão sobre as potencialidades de cada comunidade, Ubiraci facilitou rodas de diálogo, oficinas de massagem e momentos ao ar livre. 

Para Dima e Débora, essa experiência presencial da TCI se conectou a uma reflexão que atravessou todo o percurso formativo: a de que o amor pode ser uma categoria econômica, capaz de gerar valor social, fortalecer relações e abrir caminhos para um presente e um futuro mais fraterno.

Essa sensação também foi sentida pelas lideranças participantes: “Cada abraço que dei e recebi foi como um bálsamo, ajudando a curar feridas do meu coração e renovando minhas forças.”

Outra resumiu: “Foi o curso mais transformador da minha vida, em todos os aspectos, físico, mental e espiritual. Serei eternamente grata.”

O cuidado que permanece

Ao conectar teoria, espiritualidade e prática, o Cuidadores de Comunidade fortalece uma rede de pessoas comprometidas com o cuidado e com a transformação de seus territórios. O encerramento desta etapa, portanto, também aponta para a continuidade de um percurso que se concretiza nas comunidades.

Ao final da formação, os cuidadores receberão uma certificação que reconhece o aprendizado construído e o compromisso com a promoção de comunidades mais humanas e resilientes.