Nos últimos meses acompanhamos de perto a dura realidade estabelecida no Brasil com a chegada da pandemia da Covid-19. Sem saber como lidar com o novo cotidiano ou por falta de recursos, mais de 1 milhão de empresas fecharam suas portas até o início de junho de 2020, segundo dados do  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Felizmente, em meio à crise sanitária e socioeconômica, iniciativas inovadoras nasceram por todo o Brasil com o objetivo de apoiar e incentivar empreendedoras e empreendedores de áreas vulnerabilizadas nas periferias e quebradas brasileiras. 

A seguir, compartilhamos com vocês dois projetos do ecossistema de negócios de impacto muito inspiradores

 

Eu, empreendedor de mim; juntos, empreendedores do mundo. 

Preocupados com o impacto da pandemia entre os moradores da comunidade de Beiru/Tancredo Neves em Salvador (BA), Maria Clézia e Rodrigo Apolinário, colaboradores da Anpecom, procuraram os líderes comunitários para entender como apoiar as famílias. 

“Fomos com a ideia de montar um projeto para suprir uma possível necessidade alimentar, mas fomos surpreendidos quando um líder nos disse ‘não temos apenas fome, mas também medo’. Entendemos que nosso real compromisso não seria apenas material, mas também imaterial e criamos um projeto que visaria escutá-los, dar apoio emocional e psíquico: o Eu, Empreendedor de Mim; Juntos, Empreendedores do mundo”, explica Maria Clézia.

 
Com a ideia de que é preciso empreender a vida e os talentos para poder ajudar o outro, a dupla atendeu cerca de 30 alunos em cada uma das duas turmas virtuais. 
Os encontros, desafiados pela instabilidade da internet, tiveram como base a realidade, a necessidade e a linguagem dos participantes de Beiru/Tancredo Neves e eram sempre precedidos pelo Círculo Solidário, uma roda de conversa direcionada à criar confiança e escuta entre os participantes. Um momento excepcional de diálogo e partilha de vida.

“Em todo os momentos, tivemos o propósito de estimulá-los a olhar para si, para que percebessem e compreendessem seus próprios talentos, para depois impactarem a própria comunidade e chegar a outros lugares. Por isso o diálogo é tão importante. Apenas por meio dele, o projeto pôde colaborar no apoio emocional, psíquico e motivacional dos participantes”, concluiu  Rodrigo.
 

Incentivando as quebradas

Já na quebrada do bairro Jardim Ângela (SP), lugar mais violento do mundo segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) em 2008, a Associação A Banca se uniu com a Artemisia para fornecer às empreendedoras e empreendedores locais o “Volta Por Cima”: um fundo emergencial com crédito máximo de R$ 15 mil a juros zero, carência de 3 a 6 meses e um acompanhamento mensal. 

“Como nosso objetivo era de fato ajudar as quebradas, quem não tiver condições para pagar o fundo no futuro, não será negativado ou cobrado. Não queremos trazer prejuízo para essas pessoas, mas sim apoio”, conta o Dj Bola, fundador do A Banca, produtor cultural, empreendedor social e DJ.
 

Além da criação do fundo,  o grupo migrou as aulas de música que leciona para o meio on-line, a fim de assegurar a continuação dos estudos de seus alunos.
 

Saiba mais sobre A Banca

Com mais de 20 anos, A Banca nasceu como como movimento juvenil no Jardim Ângela, para fazer eventos de hip hop. Dj Bola tinha 18 anos à época e já tocava, era DJ, fazia parte de uma rádio comunitária e trabalhava em uma farmácia. Foi quando decidiu estruturar o projeto para ter voz e liberdade de expressão, em meio à realidade de vulnerabilidade social. “Desde o início, a gente tem a música, o empreendedorismo de base e a cultura como nossas ferramentas. O que fazemos, fazemos porque acreditamos; é o nosso DNA”, relata.
Mais de 50 mil pessoas já passaram pelos diversos eventos, aulas de música, cultura e educação popular, cultura do hip hop, mixagem, entre outras, que tratam desde técnicas à gestão da carreira. E tantas outras pessoas já foram apoiadas  pela Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (Anip), que tem como objetivo fortalecer empreendedores e empreendedoras que estão à frente de negócios em seu território. “Com esse programa já fortalecemos e demos investimento semente para mais de 50 negócios nos últimos três anos. Por isso, entendemos que o impacto criado vai além dessas 50 mil”, afirma.
Autor(a): Teresa Breda.

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