O Programa Caminhos da Liderança, do Projeto Amazônia Viva, foi desenvolvido durante sete meses, com base em uma metodologia de escuta sensível, diálogo intercultural e fortalecimento territorial. O projeto criou espaços de formação e integração, favorecendo a troca de saberes entre povos e comunidades da Amazônia.
A iniciativa é apontada como um marco na promoção da liderança comunitária e na valorização das práticas tradicionais da região.
Em sua etapa final, e de forma complementar, a equipe da Economia de Comunhão responsável pelo programa visitou três comunidades de algumas das lideranças participantes para a realização das Oficinas FloreSer, entre os dias 28 de novembro e 1º de dezembro. Foi uma oportunidade de fortalecer um dos principais eixos do projeto, o florescimento humano, priorizando mulheres e jovens de comunidades ribeirinhas, indígenas e periféricas urbanas.
“Sou cabocla raiz. Hoje faço parte do projeto Mães Empreendedoras. Neste projeto, trabalhamos com o bem comum e a reciprocidade, aprendendo e praticando esses conceitos a partir dos valores da Economia de Comunhão.” Este foi o relato da empreendedora Ana Júlia, da comunidade manauara Ouro Verde, durante a realização das Oficinas FloreSer.



Em formato projetivo, a atividade promoveu expressão autêntica e fortalecimento coletivo. A programação contou com música para conexão, facilitação gráfica para dar visibilidade ao percurso, roda de comunhão com partilhas e atividades de desenho simbolizando a jornada empreendedora. “Tivemos a oportunidade de trabalhar a dignidade, a união e a força transformadora dessa comunidade”, comentou Maria Clézia Pinto, coordenadora do Projeto Amazônia Viva.
Em seguida, no dia 30 de novembro, a equipe desembarcou na comunidade Akural, composta pelas etnias Dessana, Baniwa, Tariano, Ticuna, Hupda, Pira-Tapuia, Baré, Tucano, Wanano e Ruiua. A recepção foi marcada pela hospitalidade e pelo protagonismo indígena.



Lá, a atividade inicialmente planejada como “dinâmica do sonho” foi transformada em uma dinâmica de escuta generativa, permitindo maior protagonismo da comunidade.
Essa escuta ativa dos participantes permitiu registrar aspirações coletivas, entre elas o pedido de apoio para estruturar um projeto de turismo comunitário, com o intuito de fortalecer a identidade local e abrir novas oportunidades de desenvolvimento sustentável.
Por fim, no dia 1º de dezembro, a comunidade do Lago do Acajatuba recebeu a última oficina. Durante as atividades realizadas com membros da comunidade, observou-se um cenário marcado por dores, mas também por abertura, resiliência e disposição para experimentar novas formas de expressão.



Durante as atividades coletivas, os participantes inicialmente demonstraram corpos fechados e sinais de adoecimento emocional. Com a criação de um ambiente seguro e acolhedor, houve uma abertura gradual, trazendo leveza e disposição para novas formas de expressão.
O resultado foi marcante: práticas simples revelaram conteúdos profundos e fortaleceram a autoestima, evidenciando resiliência e capacidade de transformação.
A fala de Yane Araújo, presidente da Comunidade 15 de Setembro, refletiu bem a determinação das pessoas do território:
“Eu sempre digo que a floresta não é nada sem as pessoas que a habitam e a cuidam. A floresta é o meu lar, e estou comprometida em trabalhar para proteger essa região incrível para as gerações futuras.”
Em breve, teremos novidades sobre os próximos passos do Projeto Amazônia Viva.



