ECONOMIA DE FRANCISCO NO BRASIL. Uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na última quinta-feira, 23, refletiu a demanda plural e urgente de unir a sociedade civil, o setor privado e agentes políticos para propor iniciativas que favoreçam uma economia mais justa, inclusiva, regenerativa e mais humana. 

Intitulada Economia de Francisco e Clara na Alesp: diálogo e propostas para edificar uma nova economia, a audiência foi proposta pelo movimento Economia de Francisco, por intermédio do protagonismo e da articulação de um dos jovens brasileiros que compõe a rede global, Alan Faria. Para quem ainda não conhece, a Economia de Francisco é um movimento internacional convocado pelo Papa Francisco de jovens economistas, empreendedores e empreendedoras e tomadores de decisão engajados e engajadas em um processo de diálogo inclusivo e de mudanças globais rumo a uma nova economia. 

A audiência pública reuniu organizações não governamentais, o setor privado, movimentos religiosos, lideranças acadêmicas e agentes políticos, todos interessados e interessadas em repensar a centralidade do dinheiro e do lucro como forças motrizes do nosso sistema econômico e recolocá-los ao lado de outros, como as pessoas, as comunidades, a natureza e o planeta. 

Estavam presentes a deputada Marina Helou, da Rede, Janaína Paschoal, do PRTB, o deputado Daniel José, do Podemos – e, ainda, representantes da deputada Márcia Lia, do PT, e Marcos Damásio, do PL.

“É um passo importante que a política institucional se aproxime dessa forma de ver a economia e que a gente comece a pensar em soluções para concretizar esse impulso em políticas públicas”, destacou Helou, na abertura da audiência. 

O jovem acadêmico Alan Faria conduziu uma breve explicação sobre a Economia de Francisco, resgatando proposições genuínas do movimento como o seu chamado plural, focado em percorrer um processo e em favorecer a promoção da cultura de paz e encontro.

Em seguida, o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Ladislau Dowbor, refletiu sobre a ineficaz distribuição de riquezas que acompanha nosso sistema capitalista trazendo à tona alguns dados contemporâneos sobre a fome e a desigualdade social.

“O chamado do Papa Francisco reflete essa indignação de que a economia precisa estar à serviço da humanidade”, destacou. 

Outra rodada de reflexões propositivas foi conduzida por movimentos por novas economias ligados ao setor privado. Estiveram presentes Marcel Fukayama, do Sistema B, Maria Helena Faller, da Economia de Comunhão, Diogo Quitério, da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto e Aron Belinky do Sistema Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto. As lideranças destacaram a importância do comprometimento do setor privado em propor soluções escaláveis pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e da necessidade de mudanças sistêmicas e institucionais para colocar em prática as ideias já tão discutidas por uma nova economia.

“Precisamos usar a força do mercado para resolver problemas sociais e ambientais complexos. Precisamos das empresas gerando impacto positivo”, reforçou Fukayama. 

Por fim, também tiveram seu lugar de fala as organizações do terceiro setor, representadas por João Paulo Vergueiro, da Associação de Captadores de Recursos, Otávio Sampaio de Moura, da Comissão de Direito do Terceiro Setor da OAB de São Paulo, Marco Aurélio Souza da Comunidade e Vida Cristã, ligada à Igreja Católica, Átila Cruz, representante da religião muçulmana e o pastor Jair Alves, da Igreja Metodista. Por seu caráter plural e representativo, a mesa deu uma prova de diálogo e de paixão pelo bem comum a todos os presentes. 

Cabe destacar a intervenção mais técnica do Dr. Otávio Sampaio que tratou da necessidade de aperfeiçoamento da legislação que rege o ITCMD, da revogação da Utilidade Pública do Estado de São Paulo, e também sobre o Certificado de Regularidade Cadastral de Entidades do Estado de São Paulo. Saiba mais aqui.  

Aproximadamente 50 pessoas acompanharam a audiência pública presencialmente e o vídeo já conta com quase 3 mil visualizações no Youtube

A Economia de Francisco pretende realizar outras iniciativas como parte do percurso concreto e de formação da opinião pública em apoio ao apelo do Papa por uma nova economia, simplificadamente resumido em sua seguinte fala: Precisamos de mais processos circulares, para produzir e não desperdiçar os recursos de nossa Terra, formas mais justas de vender e distribuir bens e um comportamento mais responsável quando consumimos”.